segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quero falar do tempo que,
Há muito tempo
É contra o vento.

Tempo nenhum
Em lugar algum
Pode aliviar:
Agora

Porque o Agora
é a hora que tem segundos
e primeiros
mandamentos

Precisa do tempo de cura
Não se sabe quanto leva
Depende do caso
E o acaso ajuda

Posso me entregar à hora
Sem matemática,
rimá-la
com gramática
e fudê-la
na cama entre lençois

O tempo não é curto
Nem longo
Apenas tem intensidade, a sua
mais valia,
Nesse território do foi
E não é mais.

O fim dos tempos
Não assusta ao tempo
Quando o tempo é precipício
Pouco importa
Se é soneto ou carta de suicídio

(Começo a perceber isso às 04:17)

Agora a hora ora e eu rio.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quem tem medo da dor
Tem medo do dia e da noite

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

flor da vida

O desconcerto,
Oriundo de uma desordem de peças de pensamentos
Pode ser um desafino de tons,
Um sensacional arranjo de novas notas,
Não tem sentido,
Mas se sente na pele
E no ouvido
A desarmonia.

E eu ia por essa estrada
Do desejo de estar
Sempre em sintonia
Despertei
Dessa vontade
De previsibilidade.

Me agrada o caos,
Os movimentos mediados pela desordem
Esta oração caótica
Tem poder quando explode,
Pelo ódio ou combustão,
A inércia do ócio
Do tudo bem,
Tudo incrível
Amém.

Na beira de um rio
O canto das cigarras
Anuncia calor
Não tem dor
Mas tem morte.

Minhas palavras não são claras,
Nem ligeiras,

E são cheias de defeito.

Poderia eu chegar
Ao grau mais elevado da perfeição deshumana?

Sou apenas um coração que quer ser alado em asas próprias.

domingo, 7 de novembro de 2010

flor de laranja

Experimenta o doce-amargo da bebida
melada,
pode fazer de mim o que 
quiser, pode eu fazer
o reino do sim, sem senhor
eu rainha de mim, com amor
carinha de carinho, raios chuvosos
aguas das fontes,  prazer-escorrem 
pela pele cor-de-rosa
borram as memórias.

Os meus seios estão mais corpulentos
acho que é o amor,
meus lábios mais inchados
acho que é o amor,
minha pele mais úmida
acho que é o amor,
olhos molhados
acho que é o amor,

o pensamento altivo
rasga os céus
das montanhas, escorregam espumas brancas
véu de noiva, tão gelado e forte
aquece,
coração derrete
as limas do peito,
sumo do amor.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Natural Woman Blowin'in the Wind

Acarinhar o tempo
Soltar o espaço-entre
Cantar em todo canto
Sopros de carícias quentes

Com a ponta da língua
Leve-mente amarga 
Arrepiar corpos adocicados
E fluorescentes

Entrego a tempestade
À proteção espacial
Natural Woman
Blowin'in the Wind

Só e lá mente
Mani festa ação
Solariza as sombras aparentes
Nas praças públicas de olhos tristes

Lavo os ideais com água da fonte
Em chafarizes iluminados
Onde a beleza dança
Roda e pia

Tons contagiantes de elos 
Explícitos afetos
Sinfonias de um Kozmic Blues
Azul vibrante

Vai-e-vens  
Com sutilezas no tato
Acende o fogo dentro
De todos

Amansa os nervos
Paralisados por angústias de origem sabida 
Que pouco importam
Quando tudo é fluído
E divino

Trans-piro
A pobreza encruada 
Visto a beleza  do "Eu te amo amor"
Algo tipo 69 
em Woodstock.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010



A alma do glamour é o amor.

Me lembrei da semana passada...

Planejei,
Tô planejando,
o inverso
do que rola e me enrola
Com as mãos atadas
pelos pensamentos
Escutei
O desejo mais íntimo
de Ser, 
seja lá o que for:
o avesso.


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vênus

No seu colo quente
Desfruto calma 
Um gole de alma
E vontade de poder.

Tudo o que há de bom 
Cria o que eu divido
E ainda me entorna
Uma boa dose de mim.

Sinto-me rara,
Como a lua clara
A única a iluminar
A escuridão dos caminhos densos

De lado,  pela frente
Trás,
Por baixo, 
Estímulos do alto,
Que no meio quente
Se tornam consistentes.

Testemunho
Aos olhos da carne
O que escorre e evapora
No afago dessas tuas
Partes nuas
E ocultas.

Entrego-me
Ao sensorial fato
De tê-lo em meu,
Mais alto,
Ato humano.

Me divido em parte inteira
Nessa brincadeira
Na pele do meu desejo
De te amar.


Minha culpa, desculpa
Cobra, envenena,
Só, me livro dela,
Nas possibilidades
Excitadas pelo amor.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Cheiro de Alecrim

Vislumbres de doçura pela janela...
Ver onde dão
Ver onde dá
Alecrim e doçura
Seguir.

Me disseram, me disse
Seguir o que não leva a nada
Por dentro e por fora
Ver o que se leva.

Pouco compromisso
Nenhum compromisso
Ver a nuvem passar
Buscar pelo caminho
O caminho que te leva
Seguir.

Me encanta, me encantaria
Ver o lugar onde vai o caminho
Pouco medo, nenhum medo
Seguir alecrim e doçura.

Todos sabem, eu sabia
Pouco se sabe, muito se sente
Ver quando não há esforço
Abre o caminho
Ver quando é amor
Abre o botão
Cheiro de alecrim
Flor de paixão.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

nuvens rosas

O vento pede passagem, abro a janela, a porta fecha, derruba o vaso, olho para os cacos.
Imagino pedaços de mim, separados da alma, a mente aquieta: um desejo de liberdade.
Inconscientemente o céu está púrpura, voam pensamentos, desamarram o passado: falsas glórias. A minha tristeza tem corpo, cor, sinto entre os lábios o seu sabor. Personagem vivo e atuante no palco vida.

Mas e agora? O que falar da felicidade?
Sinto-me perdida, acho as rimas banais, amar é maré, é.
Imagino então:
uma equilibrista de cristas de ondas marinhas.
No quebra-mar:
explosões que vem e vai de potências indecifráveis.
Gosto disso, aposto que se esgotam.

As ondas deixam para trás cantos úmidos e neles deslizam vestígios da nau Senhora da Luz . O horizonte sobressai e revela-se superior ao bom-senso: puro delírio. Nuvens rosas aqui se declaram para eu crer na textura da palavra felicidade.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Amor Balão


"Por quê você não escreve seus sonhos?"
E foi assim que nasceu este conto,
Do eco das palavras,
Da minha roommate.

"Não posso escrever, porque é magia".
Olhei para dentro,
Senti um aceno afirmativo
Pela minha decisão.

Acontece que,
Não à toa,
Naquela hora,
Me lembrei de um velho anão.

Em sonhos passados,
Cochichou coisas engraçadas,
Hummm.. não me lembro de nada.

Então me veio uma sensação,
De saber o por quê,
Dessa minha paixão
Em estar na sétima arte.

Mais imagens apareciam:
Bebês em sacos de aniagem,
Amarrados como balões,
Em cascos de jabutis,
Voavam no céu.

Me lembrei daquele lindo moreno,
Tão amigo,
E nossa amizade,
Tantas vezes confirmada,
Em noites de amor.

Certa noite,
Lá pelas 3 horas da madrugada,
Dia de São Pedro,
Inverno,
Eu deitada,
Ele por cima,
Fiz uma pausa, só pra dizer:
"Olha o balão ! "

Eu molhada,
Ele pelando,
O tempo parou,
Ele sussurrou:
"Amor bom é amor balão!"

Abri um sorriso,
De quem compreende,
Sem saber falar sobre,
O que se entende.

Ele sob o meu corpo,
Olha pra cima,
Como quem por encanto,
Se abre,
Para uma manifestação divina:

"Amor balão, aquele que é leve
O fogo faz subir,
Evoluir,
Progredir,
Se tornar uma pessoa melhor."

Desde então, nunca mais,
Me esqueci do amor balão.

Aliás, eu e meu amigo
Era algo sensorial,
Sem nenhuma justificativa
Paradoxal.

Hoje ele mora fora,
Eu estou em outra,
Neste mesmo mundo,
Normal.

Muitos balões já dei
Outros, deixemos voar
Balão é objeto,
Inventado para transportar.

Amor -veículo
Balão-mágico



Hoje acordei com tanta saudade da minha ex-sogra

Sonhei com ela noite passada

Abria a geladeira daquela grande casa

Todas as manhãs que lá dormia

Repartia o queijo minas da fazenda de Sta Luzia

O primeiro pedaço era pra ele

Meu querido, que tão bem me comia

E aquela mulher mais velha,

Me olhava com tal ternura

Em silêncio transmitia alegria

Por eu nutrir sua cria

“Eu to amando,

Apaixonada,

Quero você amor.”

E cada dia que passa eu me vejo mais

Na cama de lençol cor de rosa

Que compramos naquela feira da praça

Hoje reflito na minha amiga madura

Que ficou triste comigo

Fiz seu rapaz mais velho chorar

E o perdão não vem

A febre era alta,

Ele adoecia e eu mudava

Mesmo para aqueles que sabiam

E ela, sem palavras, também já sabia

Que a gente já não dava

Continuando o sonho

Eu fui até o jardim da bela casa

Com o queijo na bandeja de prata

E alimentei as cabras

Derepente, um grande cortejo de ciganos surge

Uma bela melodia, doces odores

Me arrastam para longe

Como se eu fosse parte deles

No meio do caminho

Com uma sensação andrógina no fundo do peito

Miro a bandeja de prata

Com uma cabeça de homem

Barbudo e cigano

E eu não me engano

Ele estava vivo e me encarava

Deu risadas, e eu fechei os olhos com força

Me decidi.

Não vou mais temer

Eu me declino

Acendo uma vela

No chão da mata

Pro povo da terra

E peço aos anjos e arcanjos

Que te protejam: Homem!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

já reparou?

Reparar é uma palavra muito curiosa.
Serve tanto para conserto como para observação.
Conserto é bem interessante.
Pode ser direcionado para o objeto voltar a funcionar,
Ou para a alma se deliciar com uma incrível melodia.
Incrível é genial ou algo crível?
Gênio é um adjetivo muito utilizado na pós-contemporaneidade,
Para qualquer coisa que seja um pouco acima da média.
Qualquer coisa pode ser usada ou descartada.
Coisa é o ente e o ser é você.
O ser é e continua sendo
Uma questão filosófica, sem definição.
A questão, em geral, induz a resposta.
A resposta pode ser pronunciada com o corpo, com a mente ou com o silêncio.
Diz-se mente, para alguém que não diz a verdade,
Ou para definir o conteúdo do seu cérebro.
Pronto, parei por aqui, agora escolho começar com nada.
Nada é a ausência de tudo ou o movimento do corpo na água.
O movimento desloca, mas também pode ser partidário.
Partir de si mesmo é dar voltas cíclicas.
Si é a sétima nota musical ou o interior de si próprio.
Interior é todo o território de costas para o mar ou dentro do corpo.
Mas, é sempre uma condição frente a uma decisão ou ação.
Pois, não vejo mais lógica para tanta informação.
Vou parar neste momento, neste lugar, agora.
Momento como um instante ou um ponto no tempo
Sem nenhuma utilidade científica prática.
Adeus, ausência.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

À só ou à mais



Neste tempo sem você

Acreditei que tentava achar um jeito de te esquecer

Comecei a colocar a minha voz pro mundo,

Em clamor

Sem reclamar do seu amor


Até que você desapareceu dos meus sonhos

Seu lugar não foi ocupado por outro

Me fortaleço dentro dos meus passos

Este vazio, ar fresco, força e luz


Loucura e solidão se misturam

Minha alma em estado de dormência

Um mosaico de sensações me desperta

Já não me lembro da última briga de amor


Ele, o amor

Não pertence a ninguém,

é tão livre e tão meu

Dentro de mim sobrevive,

E quer viver


Ela, a espera

Navega para o novo

Que ainda é tão solto e voa

Concentra, fecha o olho

E quer abrir


Pelo caminho do nada a seguir

Arrastam-se as estradas,

Em imagens impressionistas

A 30 quadros

Aterrisa

São os anos

Até aqui.


Procuro então um mestre,

Razão ou amor

Que signifique

E force o movimento


Este algo inexplicável que quer o outro

Como a poesia quer a palavra e depois não quer mais

As ilusões da vida, à só ou à mais.




sexta-feira, 23 de julho de 2010

cultura


O brasileiro gosta mesmo é de cultura com cu maiúsculo!


terça-feira, 13 de julho de 2010

Pausa para reflexão

Há almas que buscam experiências,

Outras a luz

E há ainda as que buscam servir,

Com amor e atividade inteligente

Vão evoluindo, ampliam a atuação,

E quando começam a servir ao mundo,

A Hierarquia passa a notá-las.

Mental ordenado e coração ativo

É o que produz a química.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Poesia cósmica

Nossa alma é feita com a substância da alma do mundo


. Não basta


Perdi a referência,

Conecto-me ao pensamento
Sinto a presença
Finco-me na crença
E procuro sentido
Para as pegadas do meu pé
Na terra da poesia.

É fuga sem direção
O lado de fora é superfície
Que espera pela sentença dada pela eternidade

Será que o eterno também vira pó?

terça-feira, 6 de julho de 2010

A morte do amor virtual


No primeiro dia, confesso, inventei a situação. Porque hoje, já não me importa se ele é interessante ou não. Naquele tempo, parecia tudo tão sine qua non, mas era pura coincidência. E qualquer realidade é uma obra de ficção.

Mas voltando ao caso, porque olhando de perto, sem vista grossa, é possível entender a culminância do amor. Aquele cara devir, a gente se encontrou por acaso. Tava na pista dançando com outro e toca carcará, mal pude acreditar. “Pega, mata e come”. Aquele refrão fez todo o sentido, porque eu sei que você também sabe.

( pausa para reflexão)

Pronto! É lembrar de você e a minha inspiração vira uma piada. Me lembrei daquela nossa última conversa. Escutei um poc, era você no meu gtalk.

ELE: oi ata, trabalhando?

ATA: mais ou menos

ELE: pensei que vc ia falar algo do tipo "tô trabalhando que nem louca"

ATA: mas hj nao vou trabalhar e tb cansei de reclamar. eu quero paz e arroz!

ELE: paz e arroz?

e o namorado?

ATA: o q?

ELE: não era pra vc essa não...(rs, desculpe)

tem feito o q?

ATA: coco, xixi, dormido, o de sempre...

ELE: ah q ótimo

ATA: nao é

ELE: ô

ATA: e as pererecas, vão bem?

ELE: o q? hahahhaa...sim, meu trabalho de campo, tá foda!

ATA: se tá foda tá bão né? rs

ELE: huahuahuahuahua ...boa..

ó, eu posso fazer o arroz pra vc, se quiser arroz mais tarde dá um toque no gtalk, bjs

(OFFLINE)

Não deu tempo de responder, o que faltava mesmo entre nós dois era carne. Mas a essa altura, nada mais combinava. E não tinha receita que desse jeito nesse nosso tempero sem cheiro. Ele nos braços de outra e eu de outro. Estávamos a bailar descompassados pela realidade. Coincidência é assim, nem sempre é a melhor saída. Deleto você amor virtual e te sepulto na poesia.


domingo, 4 de julho de 2010

Dramática

Muitas coisas tem me angustiado. Até a tinta dessa caneta que colore a minha unha vermelha. Não sai com água, como o meu choro não lava a alma.

Existe este vazio e respeito. Mas não me peça para resistir. Este buraco que não sangra, que não chora e também não cala. Dentro de mim há essa multidão de vozes atormentadas, este imenso mar de amor que quer doar. Doa a quem doer, doe a quem doar. Quero abrir esta imensa passagem que leva ao nada pessoal mundo de nós dois. Dois é o dia da data do segundo dia que peço com toda a força: conecte esta alma nessa outra! Através deste olhar, nesta noite tão calma, te conheço e reconheço. Escorre uma gota do rosto, que nunca se cansa quando a matéria é o nosso encontro. Cai por um imenso mar de possibilidades e vibra toda a água. Espalha a esperança de encontrar você alma amada, em tão doce sabor, boca a boca.

segunda-feira, 28 de junho de 2010



Sabe quando nada?

Olhava para o relógio e num instante
O dia foi-se, a luz apagava
Despertei para a vida, eterna viagem
Desde então trabalho na estrada
Procuro a encruzilhada que escuta a voz das esquinas
O exato ponto, onde não há chegada, nem partida
Cá estou, e sigo em frente
O presente exige passos
Na dor que já não dói
O intervalo se desfaz
Tropeço no desejo do infinito
Caio na tentação do impossível
Rumo ao ideal do querer nada
Apaixo-nada.





quarta-feira, 23 de junho de 2010

CONVITE ROMANCE



Eu me forço,
eu me esforço
Eu esboço.

A cabeça baixa,
os pés no chão,
a mente no mundo
A palavra muda.

Eu quero dizer,
aquilo que não sai da entrelinha.
Reparo em mim,
que pontuo a fala,
crio certezas,
destruo o tempo.
Só e só.

Futuro do presente preencherei você,
vazio presente eu me entrego.
Em modo negativo eu resisto,
mais uma noite não me lanço a você.
Pretérito mais que perfeito eu teria você na cama,
se eu não tivesse desistido.

Em modo imperativo eu insisto,
amor possível detesto você.
Prefiro o outro futuro do pretérito,
veria-lhe-ia como nunca vi.
Até cheirar minha pele,
meus olhos terão te olhado presente do desejo,
a sussurar amor.

Este papel,
me tira a vida vivida,
me trás aqui,
 eu piso dentro,
me rasgo toda,
fico nua pra você,
que não sabe quem eu sou,
Mas eu te supervalorizo.

SER DE CISÃO

foto Alejandro Jodorowsky -filme "The Holy Montain"

EXISTO, DESISTO, INSISTO
ISTO, LÓGICA MENTE
SÓ ISSO, JÁ É
SER DE CISÃO

quarta-feira, 26 de maio de 2010


Poesia é risco
Arrisca
Arisca
Risca

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Devir...

Salvador Dali

Bela noite de insônia, a escritora está à toa e sem muso inspirador. Mas isso não é mais problema para uma mulher do século 21. Navega pelas redes sociais e encontra ele. "Oh net, claro que a minha paixão não é virtual, porque desperta vida e inspira. E tenho aqui uma tela branca para projetar-te."

ATA: acho que te vi em algum paraiso perdido, será?

ELE: oi

ATA: oie

ELE: vc estuda na UFRJ?

ATA: eu to sem escoras pelo mundo...estou entrando para o trigésimo período das faculencias divinas...faltam alguns meses para concluir.....ah minha vida, meus amores, quem sou eu depois de tantos cursos?

ELE: q bonito, vc faz letras?

ATA: meu querido elas já foram feitas, antes mesmo de eu nascer.

ELE: rs...e o que vc faz com elas então?

ATA: eu sonho com elas

ELE: hahahaha...o q vc sonha?

ATA: sonho com vc!

ELE: vc é sempre doida assim? rs...me conte seu sonho

ATA: uma mistura de matrix com planos espirituais...eu e vc mastigávamos côco, as estátuas da cidade acordavam as pessoas nas ruas e nós fugíamos para uma cobertura com piscina, onde tinha uma mulher peixe (não era sereia)...vc, ah vc...me levou para longe...

ELE: ??? pra onde?

ATA: para o longe, mas o longe era baixo, rasteiro e encontrei uma cobra verde...

ELE: e ela te picou?

ATA: isso! e o seu veneno me despertou sensações de devir contagiantes...

ELE: devir?

ATA: exatamente! uma sensação de devir cumprido intensa...

(5 minutos de vácuo...provavelmente ele foi pesquisar o que é devir na wikipédia)

ELE: Devir é o desejo de tornar-se...q bonito menina! vc é uma poetisa?

(2 minutos de vácuo...detesto que me chamem de poetisa e resolvi mudar de assunto)

ATA: Eu moro em copacabana e vc?

ELE: moro no méier e estudo bio na UFRJ...tava olhando as suas fotos, vc é bem gata!

ATA: Se tiver coragem e tempo, bora ver a linha do mar amanhã ou hoje? tanto faz, o importante é fazer

ELE: adoraria, mas amanhã tenho um monte de compromisso de trabalho...humm, vamos combinar outro dia?

ATA: tem coragem? eu sou super corajosa, papo serio e aberto, é uma das minhas caracteristicas mais fortes

ELE: hehehe

ATA: deixe eu te falar, nunca troquei assim pela net, tô curtindo, está bem lírico...e eu to nessa fase...liberdade em qq aparato!

( 3 minutos e meio de vácuo)

ELE: querida adorei te conhecer...mas preciso dormir, amanhã acordo muito cedo, to fazendo uma pesquisa de pererecas, preciso coletar amostras no campo às 5 da manhã.

(pererecas? o que ele quis dizer com isso?)

ATA: OK! ...tb vou descansar agora e sonhar com vc!

ELE: rsrsrs

(depois de 7 minutos, vi que ele ainda estava online...)

ATA: voltei só pra dizer: Durma com os anjos e sonha comigo!


(nada mais ele respondeu...)

OFFLINE


quinta-feira, 20 de maio de 2010

as pessoas

Foto: Renata Than

As pessoas não andam mais nas ruas, porque têm medo da violência e da pobreza, que assustam até quem é ateu, ou diz que, não acredita em coisas além dessa vida que nasce, cresce e morre. Nasce porque alguém transou e gozou dentro no momento certo das coisas acontecerem. Morre, porque tudo finda, até nossos sonhos, às vezes, na calada de um dia ou de uma noite, sem suspeitos ou fantasmas.

Eu que vivo e, só por isso estou aqui falando qualquer coisa que seja, escuto. E quando sai a palavra, não sei mais se fui eu ou se foram as pessoas. E não tem uma só palavra ,a mais verdadeira é irreconhecível, que signifique.

Não, eu não quero me apaixonar (este mundo vai apenas partir seu coração)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

E a poesia, a única


Foto: Renata Than

E eu deixei-o indefinido
E ele me deixava indefinida
E, independente de ser infinito
Insistíamos em definir algo
Que por si só era finito
E eu disse que daria pra ele
E ele pediu para eu me virar
Meteu-me pelas costas
O burraco ainda está lá
E nós fingiamos ter algo
E eu não sabia se tinha alguém
Ou o quê mais o poder de ser ou deter
Algo que, mesmo sem saber, faz falta
E essa falta me acompanha
Bato de porta em porta
Faço campanha
Esperando por ele
Que nunca me vê e nunca me viu
E é por isso que eu choro
Tão fundo, tão quente e tão vivo
Se ele é ele eu não sei
Sei que ele é
Sei que eu sou
Mudou-se o estado das coisas
Mas a coisa em si não
Sim, o telefone tocou
Mas eu, novamente, não fui tocada
Toco a campainha
O som é como um sino
Acorda a cidade no pino do dia
E eu só quis dormir para ver se passa logo hoje
Mas sei que amanhã será hoje
E isso perturba o meu sono
Peço vigia, fico de vigília
E a poesia, a única
Resta nessa fresta de janela
E vejo que não é a luz do dia que me guia
Mas a noite
E isso faz amanhecer em mim uma esperança
Porque na noite tem a lua
E sabe-se que ela tem fases
Então tudo pode mudar