O vento pede passagem, abro a janela, a porta fecha, derruba o vaso, olho para os cacos.
Imagino pedaços de mim, separados da alma, a mente aquieta: um desejo de liberdade.
Inconscientemente o céu está púrpura, voam pensamentos, desamarram o passado: falsas glórias. A minha tristeza tem corpo, cor, sinto entre os lábios o seu sabor. Personagem vivo e atuante no palco vida.
Mas e agora? O que falar da felicidade?
Sinto-me perdida, acho as rimas banais, amar é maré, é.
Imagino então:
uma equilibrista de cristas de ondas marinhas.
No quebra-mar:
explosões que vem e vai de potências indecifráveis.
Gosto disso, aposto que se esgotam.
As ondas deixam para trás cantos úmidos e neles deslizam vestígios da nau Senhora da Luz . O horizonte sobressai e revela-se superior ao bom-senso: puro delírio. Nuvens rosas aqui se declaram para eu crer na textura da palavra felicidade.
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