segunda-feira, 23 de agosto de 2010


Hoje acordei com tanta saudade da minha ex-sogra

Sonhei com ela noite passada

Abria a geladeira daquela grande casa

Todas as manhãs que lá dormia

Repartia o queijo minas da fazenda de Sta Luzia

O primeiro pedaço era pra ele

Meu querido, que tão bem me comia

E aquela mulher mais velha,

Me olhava com tal ternura

Em silêncio transmitia alegria

Por eu nutrir sua cria

“Eu to amando,

Apaixonada,

Quero você amor.”

E cada dia que passa eu me vejo mais

Na cama de lençol cor de rosa

Que compramos naquela feira da praça

Hoje reflito na minha amiga madura

Que ficou triste comigo

Fiz seu rapaz mais velho chorar

E o perdão não vem

A febre era alta,

Ele adoecia e eu mudava

Mesmo para aqueles que sabiam

E ela, sem palavras, também já sabia

Que a gente já não dava

Continuando o sonho

Eu fui até o jardim da bela casa

Com o queijo na bandeja de prata

E alimentei as cabras

Derepente, um grande cortejo de ciganos surge

Uma bela melodia, doces odores

Me arrastam para longe

Como se eu fosse parte deles

No meio do caminho

Com uma sensação andrógina no fundo do peito

Miro a bandeja de prata

Com uma cabeça de homem

Barbudo e cigano

E eu não me engano

Ele estava vivo e me encarava

Deu risadas, e eu fechei os olhos com força

Me decidi.

Não vou mais temer

Eu me declino

Acendo uma vela

No chão da mata

Pro povo da terra

E peço aos anjos e arcanjos

Que te protejam: Homem!

Um comentário:

  1. este homem foi abençoado pela vela e pela beleza da autora. abs pedro

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