quarta-feira, 19 de outubro de 2011



Sem rima,

A desfarelar afetos
Da grafia de um tempo 
Vivido.




segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quero falar do tempo que,
Há muito tempo
É contra o vento.

Tempo nenhum
Em lugar algum
Pode aliviar:
Agora

Porque o Agora
é a hora que tem segundos
e primeiros
mandamentos

Precisa do tempo de cura
Não se sabe quanto leva
Depende do caso
E o acaso ajuda

Posso me entregar à hora
Sem matemática,
rimá-la
com gramática
e fudê-la
na cama entre lençois

O tempo não é curto
Nem longo
Apenas tem intensidade, a sua
mais valia,
Nesse território do foi
E não é mais.

O fim dos tempos
Não assusta ao tempo
Quando o tempo é precipício
Pouco importa
Se é soneto ou carta de suicídio

(Começo a perceber isso às 04:17)

Agora a hora ora e eu rio.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quem tem medo da dor
Tem medo do dia e da noite

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

flor da vida

O desconcerto,
Oriundo de uma desordem de peças de pensamentos
Pode ser um desafino de tons,
Um sensacional arranjo de novas notas,
Não tem sentido,
Mas se sente na pele
E no ouvido
A desarmonia.

E eu ia por essa estrada
Do desejo de estar
Sempre em sintonia
Despertei
Dessa vontade
De previsibilidade.

Me agrada o caos,
Os movimentos mediados pela desordem
Esta oração caótica
Tem poder quando explode,
Pelo ódio ou combustão,
A inércia do ócio
Do tudo bem,
Tudo incrível
Amém.

Na beira de um rio
O canto das cigarras
Anuncia calor
Não tem dor
Mas tem morte.

Minhas palavras não são claras,
Nem ligeiras,

E são cheias de defeito.

Poderia eu chegar
Ao grau mais elevado da perfeição deshumana?

Sou apenas um coração que quer ser alado em asas próprias.

domingo, 7 de novembro de 2010

flor de laranja

Experimenta o doce-amargo da bebida
melada,
pode fazer de mim o que 
quiser, pode eu fazer
o reino do sim, sem senhor
eu rainha de mim, com amor
carinha de carinho, raios chuvosos
aguas das fontes,  prazer-escorrem 
pela pele cor-de-rosa
borram as memórias.

Os meus seios estão mais corpulentos
acho que é o amor,
meus lábios mais inchados
acho que é o amor,
minha pele mais úmida
acho que é o amor,
olhos molhados
acho que é o amor,

o pensamento altivo
rasga os céus
das montanhas, escorregam espumas brancas
véu de noiva, tão gelado e forte
aquece,
coração derrete
as limas do peito,
sumo do amor.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Natural Woman Blowin'in the Wind

Acarinhar o tempo
Soltar o espaço-entre
Cantar em todo canto
Sopros de carícias quentes

Com a ponta da língua
Leve-mente amarga 
Arrepiar corpos adocicados
E fluorescentes

Entrego a tempestade
À proteção espacial
Natural Woman
Blowin'in the Wind

Só e lá mente
Mani festa ação
Solariza as sombras aparentes
Nas praças públicas de olhos tristes

Lavo os ideais com água da fonte
Em chafarizes iluminados
Onde a beleza dança
Roda e pia

Tons contagiantes de elos 
Explícitos afetos
Sinfonias de um Kozmic Blues
Azul vibrante

Vai-e-vens  
Com sutilezas no tato
Acende o fogo dentro
De todos

Amansa os nervos
Paralisados por angústias de origem sabida 
Que pouco importam
Quando tudo é fluído
E divino

Trans-piro
A pobreza encruada 
Visto a beleza  do "Eu te amo amor"
Algo tipo 69 
em Woodstock.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010



A alma do glamour é o amor.

Me lembrei da semana passada...

Planejei,
Tô planejando,
o inverso
do que rola e me enrola
Com as mãos atadas
pelos pensamentos
Escutei
O desejo mais íntimo
de Ser, 
seja lá o que for:
o avesso.