terça-feira, 26 de outubro de 2010

Natural Woman Blowin'in the Wind

Acarinhar o tempo
Soltar o espaço-entre
Cantar em todo canto
Sopros de carícias quentes

Com a ponta da língua
Leve-mente amarga 
Arrepiar corpos adocicados
E fluorescentes

Entrego a tempestade
À proteção espacial
Natural Woman
Blowin'in the Wind

Só e lá mente
Mani festa ação
Solariza as sombras aparentes
Nas praças públicas de olhos tristes

Lavo os ideais com água da fonte
Em chafarizes iluminados
Onde a beleza dança
Roda e pia

Tons contagiantes de elos 
Explícitos afetos
Sinfonias de um Kozmic Blues
Azul vibrante

Vai-e-vens  
Com sutilezas no tato
Acende o fogo dentro
De todos

Amansa os nervos
Paralisados por angústias de origem sabida 
Que pouco importam
Quando tudo é fluído
E divino

Trans-piro
A pobreza encruada 
Visto a beleza  do "Eu te amo amor"
Algo tipo 69 
em Woodstock.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010



A alma do glamour é o amor.

Me lembrei da semana passada...

Planejei,
Tô planejando,
o inverso
do que rola e me enrola
Com as mãos atadas
pelos pensamentos
Escutei
O desejo mais íntimo
de Ser, 
seja lá o que for:
o avesso.


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vênus

No seu colo quente
Desfruto calma 
Um gole de alma
E vontade de poder.

Tudo o que há de bom 
Cria o que eu divido
E ainda me entorna
Uma boa dose de mim.

Sinto-me rara,
Como a lua clara
A única a iluminar
A escuridão dos caminhos densos

De lado,  pela frente
Trás,
Por baixo, 
Estímulos do alto,
Que no meio quente
Se tornam consistentes.

Testemunho
Aos olhos da carne
O que escorre e evapora
No afago dessas tuas
Partes nuas
E ocultas.

Entrego-me
Ao sensorial fato
De tê-lo em meu,
Mais alto,
Ato humano.

Me divido em parte inteira
Nessa brincadeira
Na pele do meu desejo
De te amar.


Minha culpa, desculpa
Cobra, envenena,
Só, me livro dela,
Nas possibilidades
Excitadas pelo amor.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Cheiro de Alecrim

Vislumbres de doçura pela janela...
Ver onde dão
Ver onde dá
Alecrim e doçura
Seguir.

Me disseram, me disse
Seguir o que não leva a nada
Por dentro e por fora
Ver o que se leva.

Pouco compromisso
Nenhum compromisso
Ver a nuvem passar
Buscar pelo caminho
O caminho que te leva
Seguir.

Me encanta, me encantaria
Ver o lugar onde vai o caminho
Pouco medo, nenhum medo
Seguir alecrim e doçura.

Todos sabem, eu sabia
Pouco se sabe, muito se sente
Ver quando não há esforço
Abre o caminho
Ver quando é amor
Abre o botão
Cheiro de alecrim
Flor de paixão.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

nuvens rosas

O vento pede passagem, abro a janela, a porta fecha, derruba o vaso, olho para os cacos.
Imagino pedaços de mim, separados da alma, a mente aquieta: um desejo de liberdade.
Inconscientemente o céu está púrpura, voam pensamentos, desamarram o passado: falsas glórias. A minha tristeza tem corpo, cor, sinto entre os lábios o seu sabor. Personagem vivo e atuante no palco vida.

Mas e agora? O que falar da felicidade?
Sinto-me perdida, acho as rimas banais, amar é maré, é.
Imagino então:
uma equilibrista de cristas de ondas marinhas.
No quebra-mar:
explosões que vem e vai de potências indecifráveis.
Gosto disso, aposto que se esgotam.

As ondas deixam para trás cantos úmidos e neles deslizam vestígios da nau Senhora da Luz . O horizonte sobressai e revela-se superior ao bom-senso: puro delírio. Nuvens rosas aqui se declaram para eu crer na textura da palavra felicidade.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Amor Balão


"Por quê você não escreve seus sonhos?"
E foi assim que nasceu este conto,
Do eco das palavras,
Da minha roommate.

"Não posso escrever, porque é magia".
Olhei para dentro,
Senti um aceno afirmativo
Pela minha decisão.

Acontece que,
Não à toa,
Naquela hora,
Me lembrei de um velho anão.

Em sonhos passados,
Cochichou coisas engraçadas,
Hummm.. não me lembro de nada.

Então me veio uma sensação,
De saber o por quê,
Dessa minha paixão
Em estar na sétima arte.

Mais imagens apareciam:
Bebês em sacos de aniagem,
Amarrados como balões,
Em cascos de jabutis,
Voavam no céu.

Me lembrei daquele lindo moreno,
Tão amigo,
E nossa amizade,
Tantas vezes confirmada,
Em noites de amor.

Certa noite,
Lá pelas 3 horas da madrugada,
Dia de São Pedro,
Inverno,
Eu deitada,
Ele por cima,
Fiz uma pausa, só pra dizer:
"Olha o balão ! "

Eu molhada,
Ele pelando,
O tempo parou,
Ele sussurrou:
"Amor bom é amor balão!"

Abri um sorriso,
De quem compreende,
Sem saber falar sobre,
O que se entende.

Ele sob o meu corpo,
Olha pra cima,
Como quem por encanto,
Se abre,
Para uma manifestação divina:

"Amor balão, aquele que é leve
O fogo faz subir,
Evoluir,
Progredir,
Se tornar uma pessoa melhor."

Desde então, nunca mais,
Me esqueci do amor balão.

Aliás, eu e meu amigo
Era algo sensorial,
Sem nenhuma justificativa
Paradoxal.

Hoje ele mora fora,
Eu estou em outra,
Neste mesmo mundo,
Normal.

Muitos balões já dei
Outros, deixemos voar
Balão é objeto,
Inventado para transportar.

Amor -veículo
Balão-mágico



Hoje acordei com tanta saudade da minha ex-sogra

Sonhei com ela noite passada

Abria a geladeira daquela grande casa

Todas as manhãs que lá dormia

Repartia o queijo minas da fazenda de Sta Luzia

O primeiro pedaço era pra ele

Meu querido, que tão bem me comia

E aquela mulher mais velha,

Me olhava com tal ternura

Em silêncio transmitia alegria

Por eu nutrir sua cria

“Eu to amando,

Apaixonada,

Quero você amor.”

E cada dia que passa eu me vejo mais

Na cama de lençol cor de rosa

Que compramos naquela feira da praça

Hoje reflito na minha amiga madura

Que ficou triste comigo

Fiz seu rapaz mais velho chorar

E o perdão não vem

A febre era alta,

Ele adoecia e eu mudava

Mesmo para aqueles que sabiam

E ela, sem palavras, também já sabia

Que a gente já não dava

Continuando o sonho

Eu fui até o jardim da bela casa

Com o queijo na bandeja de prata

E alimentei as cabras

Derepente, um grande cortejo de ciganos surge

Uma bela melodia, doces odores

Me arrastam para longe

Como se eu fosse parte deles

No meio do caminho

Com uma sensação andrógina no fundo do peito

Miro a bandeja de prata

Com uma cabeça de homem

Barbudo e cigano

E eu não me engano

Ele estava vivo e me encarava

Deu risadas, e eu fechei os olhos com força

Me decidi.

Não vou mais temer

Eu me declino

Acendo uma vela

No chão da mata

Pro povo da terra

E peço aos anjos e arcanjos

Que te protejam: Homem!