quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Possibilidade...
Adoro esta palavra esperançosa.
Faz maluco pensar que tem chance de optar por algo.
Finda assim: dia não, dia sim,
Um prato de feijao com bastante agrotóxico.

E lá na lonjura do sertão,
Chegou mac, chegou big e chegou feliz.
Um milhao tem em qualquer galinheiro,
Com maça envenenada como nos contos da carochinha,
que hoje assistimos em 3D pelo quadrado da televisao.

Fui visitar o Seu João,
Em uma plantação na divisa do Uruguai.
Vi maça no pé. Tinha a cor da mulher do Seu Raposo.
A pobre loirinha tava com a orelha inflamada
De tanto ouvir cantos de passarinhos
Agonizando no terreiro dos business.


Saí sem rumo
pelas rachaduras 
destas calçadas gastas
de tanto o amor passar

Vozes de concreto 
aos meus pés
buracos cheios 
de passado

Pelo caminho
do nada a seguir
arrastam-se os anos
até aqui


Enquadro um velho 
de alma rasgada,
Imprimo meus tempos 
de mendigar
Amor, amor
Só o próprio
 

 






quarta-feira, 19 de outubro de 2011



Sem rima,

A desfarelar afetos
Da grafia de um tempo 
Vivido.




segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quero falar do tempo que,
Há muito tempo
É contra o vento.

Tempo nenhum
Em lugar algum
Pode aliviar:
Agora

Porque o Agora
é a hora que tem segundos
e primeiros
mandamentos

Precisa do tempo de cura
Não se sabe quanto leva
Depende do caso
E o acaso ajuda

Posso me entregar à hora
Sem matemática,
rimá-la
com gramática
e fudê-la
na cama entre lençois

O tempo não é curto
Nem longo
Apenas tem intensidade, a sua
mais valia,
Nesse território do foi
E não é mais.

O fim dos tempos
Não assusta ao tempo
Quando o tempo é precipício
Pouco importa
Se é soneto ou carta de suicídio

(Começo a perceber isso às 04:17)

Agora a hora ora e eu rio.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quem tem medo da dor
Tem medo do dia e da noite

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

flor da vida

O desconcerto,
Oriundo de uma desordem de peças de pensamentos
Pode ser um desafino de tons,
Um sensacional arranjo de novas notas,
Não tem sentido,
Mas se sente na pele
E no ouvido
A desarmonia.

E eu ia por essa estrada
Do desejo de estar
Sempre em sintonia
Despertei
Dessa vontade
De previsibilidade.

Me agrada o caos,
Os movimentos mediados pela desordem
Esta oração caótica
Tem poder quando explode,
Pelo ódio ou combustão,
A inércia do ócio
Do tudo bem,
Tudo incrível
Amém.

Na beira de um rio
O canto das cigarras
Anuncia calor
Não tem dor
Mas tem morte.

Minhas palavras não são claras,
Nem ligeiras,

E são cheias de defeito.

Poderia eu chegar
Ao grau mais elevado da perfeição deshumana?

Sou apenas um coração que quer ser alado em asas próprias.

domingo, 7 de novembro de 2010

flor de laranja

Experimenta o doce-amargo da bebida
melada,
pode fazer de mim o que 
quiser, pode eu fazer
o reino do sim, sem senhor
eu rainha de mim, com amor
carinha de carinho, raios chuvosos
aguas das fontes,  prazer-escorrem 
pela pele cor-de-rosa
borram as memórias.

Os meus seios estão mais corpulentos
acho que é o amor,
meus lábios mais inchados
acho que é o amor,
minha pele mais úmida
acho que é o amor,
olhos molhados
acho que é o amor,

o pensamento altivo
rasga os céus
das montanhas, escorregam espumas brancas
véu de noiva, tão gelado e forte
aquece,
coração derrete
as limas do peito,
sumo do amor.