terça-feira, 13 de outubro de 2015

O que é seguimento
Sabe quando nada?
Olho pro relógio e a noite já chegou
O dia foi-se, a luz se apagou

Cá estou, seguindo em frente
Com os sonhadores que não querem nada
E mesmo assim, estão muito ocupados
O presente exige passos
E o tempo passa


Sequei todo o fundo daquele poço
Evaporavam questões
Todas em circulo
Se soltavam como fumaça de charuto
Cada ciclo, uma dúvida
Cada duvida, uma certeza
E elas emergiam daquele escuro
Que ia se acendendo
Pela força que uma escolha traz

domingo, 11 de outubro de 2015

Eu e Ela

Mulher do desassosego
Mulher do fim do tunel
Do urro murro dor
Tropa de vento que passa
O diabo que existe
O medo do tempo que passa
Eram os anjos astronautas?
(Existe mais água fora da terra do que nela)
Líquido verde-escuro
Desambiguação que gera


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Puta & Sacerdotisa

Puta jovem de lingua gasta
Santa de rugas finas e músculo pélvico infantil
O capitalismo é macho e seu falo
penetra nos anais da história
destruindo terras sacras
Crê que o mundo muda em terceira pessoa? 
Deus é macho até no coração dos homens. 
Quando você foi concebido sua mãe não gozou, por isso é assim, um narciso do sexo sem amor
Deixo pra trás paisagens inúteis, territórios fúteis, com a ponta da lingua escrevo: seu Sêmem tem prazer em Conquistar, Devastar e Cair Fora.
O sagrado sangrou.
Por entre as minhas pernas há mais mistérios do que calor
Se você beirasse o assoalho da vulva
saberia que lá no fundo
além de caralhos
está os olhos do mundo


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Dramática

eu me forço,
eu me esforço
eu me esboço


a cabeça baixa
os pés no chão
a mente no mundo
a palavra muda

quero dizer
aquilo que não 

sai da entrelinha
reparo em mim
que pontuo a fala
crio certezas
destruo o tempo
só e só


pretérito mais que perfeito 
eu teria você na cama
se eu não tivesse desistido
em modo imperativo eu insisto

amor possível detesto você


prefiro o outro futuro do pretérito
veria-lhe-ia como nunca vi
até cheirar minha pele
meus olhos terão te olhado 

presente do desejo
a sussurrar amor

este papel

me tira a vida vivida
me trás aqui
 eu piso dentro
me rasgo toda
fico nua pra você
que não sabe quem eu sou
mas eu te supervalorizo



domingo, 23 de novembro de 2014

Poesia para dias nublados

Neste tempo sem você
Acreditei achar um jeito de te esquecer
Comecei a colocar a minha voz pro mundo
Em clamor
Sem reclamar do seu amor

Até que você desapareceu dos meus sonhos
Seu lugar não foi ocupado por outro
Me fortaleço dentro dos meus passos
Este vazio
Ar fresco
Força e luz

Loucura e solidão se misturam
Minha alma em estado de dormência
Um mosaico de sensações me despertam
Já não me lembro da última briga de amor

Ele, o amor
Não pertence a ninguém
é tão livre e tão meu
Dentro de mim sobrevive
E quer viver

Ela, a espera
Navega para o novo
Que ainda é tão solto e voa
Concentra, fecha o olho
E quer abrir

Pelo caminho do nada a seguir
Arrastam-se os anos
Até aqui

Procuro então um mestre,
Razão ou amor
Que signifique
E force o movimento

Este algo inexplicável que quer o outro
Como a poesia quer a palavra e depois não quer mais
As ilusões da vida,
a sós ou a mais



terça-feira, 22 de julho de 2014

Parar
Recuar
É coisa de flecha
Que só se lança
Quando mira o sol

Certo mesmo é o desejo

To inventariando "os meus"
Cansei de amor velho

Faço amor

Com os meus cinco dedos
Mas não caio mais
Nas garras da sua falta 

Nem sempre o espelho reflete

A imagem projetada
É preciso saber o milagre do santo
Antes de rezar


Algo novo venha sem pressa
Este imenso mar de amor
Que quer doar, dói

Não me peça para resistir
Ao burraco que não sangra
A multidão de vozes que não cala

Revele a sombra 
Da parede descascada
Amor não se dita nem dura












segunda-feira, 19 de maio de 2014


A lua tá cheia e eu to um vazio transbordante
Desisti de você pra insistir em mim
Boio nos excessos vagos
Fiquei só

Vozes ventam caminhos
Farejo qualquer vestigio
De mim mesma

Sem rima
a desfarelar afetos
da grafia de um tempo vivido










domingo, 9 de março de 2014


No seu colo quente desfruto calma, um gole de alma e vontade de poder
Tudo o que há de bom cria o que eu divido
E ainda me entorna uma boa dose de mim

Sinto-me rara como a lua clara
A única a iluminar a escuridão dos caminhos densos

De ladinho, por trás 
Estímulos que no meio quente
Se tornam consistentes

Testemunho, aos olhos da carne,
O que escorre no afago dessas tuas
Partes nuas
E ocultas

Entrego-me ao sensorial fato de tê-lo em meu mais alto
Ato humano

Me divido em parte inteira
Nessa brincadeira de pele e desejo
De te amar

Minha culpa, desculpa
Cobra, envenena
Só me livro dela
Nas possibilidades

Excitadas pelo amor


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

É tardinha,
aquele instante 
escuro/claro
a brisa de uma incansável tempestade
sopra poesia na lama do meu sapato.


Com a ponta da lingua escrevo desejos:
na pornografia desta aflição,
morro nos seus braços
e renasço na concha desta orgia
"Livrai me de todo você"


 





Possibilidade...
Adoro esta palavra esperançosa.
Faz maluco pensar que tem chance de optar por algo.
Finda assim: dia não, dia sim,
Um prato de feijao com bastante agrotóxico.

E lá na lonjura do sertão,
Chegou mac, chegou big e chegou feliz.
Um milhao tem em qualquer galinheiro,
Com maça envenenada como nos contos da carochinha,
que hoje assistimos em 3D pelo quadrado da televisao.

Fui visitar o Seu João,
Em uma plantação na divisa do Uruguai.
Vi maça no pé. Tinha a cor da mulher do Seu Raposo.
A pobre loirinha tava com a orelha inflamada
De tanto ouvir cantos de passarinhos
Agonizando no terreiro dos business.


Saí sem rumo
pelas rachaduras 
destas calçadas gastas
de tanto o amor passar

Vozes de concreto 
aos meus pés
buracos cheios 
de passado

Pelo caminho
do nada a seguir
arrastam-se os anos
até aqui


Enquadro um velho 
de alma rasgada,
Imprimo meus tempos 
de mendigar
Amor, amor
Só o próprio
 

 






quarta-feira, 19 de outubro de 2011



Sem rima,

A desfarelar afetos
Da grafia de um tempo 
Vivido.




segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quero falar do tempo que,
Há muito tempo
É contra o vento.

Tempo nenhum
Em lugar algum
Pode aliviar:
Agora

Porque o Agora
é a hora que tem segundos
e primeiros
mandamentos

Precisa do tempo de cura
Não se sabe quanto leva
Depende do caso
E o acaso ajuda

Posso me entregar à hora
Sem matemática,
rimá-la
com gramática
e fudê-la
na cama entre lençois

O tempo não é curto
Nem longo
Apenas tem intensidade, a sua
mais valia,
Nesse território do foi
E não é mais.

O fim dos tempos
Não assusta ao tempo
Quando o tempo é precipício
Pouco importa
Se é soneto ou carta de suicídio

(Começo a perceber isso às 04:17)

Agora a hora ora e eu rio.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quem tem medo da dor
Tem medo do dia e da noite

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

flor da vida

O desconcerto,
Oriundo de uma desordem de peças de pensamentos
Pode ser um desafino de tons,
Um sensacional arranjo de novas notas,
Não tem sentido,
Mas se sente na pele
E no ouvido
A desarmonia.

E eu ia por essa estrada
Do desejo de estar
Sempre em sintonia
Despertei
Dessa vontade
De previsibilidade.

Me agrada o caos,
Os movimentos mediados pela desordem
Esta oração caótica
Tem poder quando explode,
Pelo ódio ou combustão,
A inércia do ócio
Do tudo bem,
Tudo incrível
Amém.

Na beira de um rio
O canto das cigarras
Anuncia calor
Não tem dor
Mas tem morte.

Minhas palavras não são claras,
Nem ligeiras,

E são cheias de defeito.

Poderia eu chegar
Ao grau mais elevado da perfeição deshumana?

Sou apenas um coração que quer ser alado em asas próprias.

domingo, 7 de novembro de 2010

flor de laranja

Experimenta o doce-amargo da bebida
melada,
pode fazer de mim o que 
quiser, pode eu fazer
o reino do sim, sem senhor
eu rainha de mim, com amor
carinha de carinho, raios chuvosos
aguas das fontes,  prazer-escorrem 
pela pele cor-de-rosa
borram as memórias.

Os meus seios estão mais corpulentos
acho que é o amor,
meus lábios mais inchados
acho que é o amor,
minha pele mais úmida
acho que é o amor,
olhos molhados
acho que é o amor,

o pensamento altivo
rasga os céus
das montanhas, escorregam espumas brancas
véu de noiva, tão gelado e forte
aquece,
coração derrete
as limas do peito,
sumo do amor.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Natural Woman Blowin'in the Wind

Acarinhar o tempo
Soltar o espaço-entre
Cantar em todo canto
Sopros de carícias quentes

Com a ponta da língua
Leve-mente amarga 
Arrepiar corpos adocicados
E fluorescentes

Entrego a tempestade
À proteção espacial
Natural Woman
Blowin'in the Wind

Só e lá mente
Mani festa ação
Solariza as sombras aparentes
Nas praças públicas de olhos tristes

Lavo os ideais com água da fonte
Em chafarizes iluminados
Onde a beleza dança
Roda e pia

Tons contagiantes de elos 
Explícitos afetos
Sinfonias de um Kozmic Blues
Azul vibrante

Vai-e-vens  
Com sutilezas no tato
Acende o fogo dentro
De todos

Amansa os nervos
Paralisados por angústias de origem sabida 
Que pouco importam
Quando tudo é fluído
E divino

Trans-piro
A pobreza encruada 
Visto a beleza  do "Eu te amo amor"
Algo tipo 69 
em Woodstock.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010



A alma do glamour é o amor.

Me lembrei da semana passada...

Planejei,
Tô planejando,
o inverso
do que rola e me enrola
Com as mãos atadas
pelos pensamentos
Escutei
O desejo mais íntimo
de Ser, 
seja lá o que for:
o avesso.


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vênus

No seu colo quente
Desfruto calma 
Um gole de alma
E vontade de poder.

Tudo o que há de bom 
Cria o que eu divido
E ainda me entorna
Uma boa dose de mim.

Sinto-me rara,
Como a lua clara
A única a iluminar
A escuridão dos caminhos densos

De lado,  pela frente
Trás,
Por baixo, 
Estímulos do alto,
Que no meio quente
Se tornam consistentes.

Testemunho
Aos olhos da carne
O que escorre e evapora
No afago dessas tuas
Partes nuas
E ocultas.

Entrego-me
Ao sensorial fato
De tê-lo em meu,
Mais alto,
Ato humano.

Me divido em parte inteira
Nessa brincadeira
Na pele do meu desejo
De te amar.


Minha culpa, desculpa
Cobra, envenena,
Só, me livro dela,
Nas possibilidades
Excitadas pelo amor.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Cheiro de Alecrim

Vislumbres de doçura pela janela...
Ver onde dão
Ver onde dá
Alecrim e doçura
Seguir.

Me disseram, me disse
Seguir o que não leva a nada
Por dentro e por fora
Ver o que se leva.

Pouco compromisso
Nenhum compromisso
Ver a nuvem passar
Buscar pelo caminho
O caminho que te leva
Seguir.

Me encanta, me encantaria
Ver o lugar onde vai o caminho
Pouco medo, nenhum medo
Seguir alecrim e doçura.

Todos sabem, eu sabia
Pouco se sabe, muito se sente
Ver quando não há esforço
Abre o caminho
Ver quando é amor
Abre o botão
Cheiro de alecrim
Flor de paixão.