Há muito tempo
É contra o vento.
Tempo nenhum
Em lugar algum
Pode aliviar:
Agora
Porque o Agora
é a hora que tem segundos
e primeiros
mandamentos
Precisa do tempo de cura
Não se sabe quanto leva
Depende do caso
E o acaso ajuda
Posso me entregar à hora
Sem matemática,
rimá-la
com gramática
e fudê-la
na cama entre lençois
O tempo não é curto
Nem longo
Apenas tem intensidade, a sua
mais valia,
Nesse território do foi
E não é mais.
O fim dos tempos
Não assusta ao tempo
Quando o tempo é precipício
Pouco importa
Se é soneto ou carta de suicídio
(Começo a perceber isso às 04:17)
Agora a hora ora e eu rio.