
"Por quê você não escreve seus sonhos?"
Muitos balões já dei
Outros, deixemos voar
Balão é objeto,
Inventado para transportar.
Amor -veículo
Balão-mágico


Hoje acordei com tanta saudade da minha ex-sogra
Sonhei com ela noite passada
Abria a geladeira daquela grande casa
Todas as manhãs que lá dormia
Repartia o queijo minas da fazenda de Sta Luzia
O primeiro pedaço era pra ele
Meu querido, que tão bem me comia
E aquela mulher mais velha,
Me olhava com tal ternura
Em silêncio transmitia alegria
Por eu nutrir sua cria
“Eu to amando,
Apaixonada,
Quero você amor.”
E cada dia que passa eu me vejo mais
Na cama de lençol cor de rosa
Que compramos naquela feira da praça
Hoje reflito na minha amiga madura
Que ficou triste comigo
Fiz seu rapaz mais velho chorar
E o perdão não vem
A febre era alta,
Ele adoecia e eu mudava
Mesmo para aqueles que sabiam
E ela, sem palavras, também já sabia
Que a gente já não dava
Continuando o sonho
Eu fui até o jardim da bela casa
Com o queijo na bandeja de prata
E alimentei as cabras
Derepente, um grande cortejo de ciganos surge
Uma bela melodia, doces odores
Me arrastam para longe
Como se eu fosse parte deles
No meio do caminho
Com uma sensação andrógina no fundo do peito
Miro a bandeja de prata
Com uma cabeça de homem
Barbudo e cigano
E eu não me engano
Ele estava vivo e me encarava
Deu risadas, e eu fechei os olhos com força
Me decidi.
Não vou mais temer
Eu me declino
Acendo uma vela
No chão da mata
Pro povo da terra
E peço aos anjos e arcanjos
Que te protejam: Homem!


Acreditei que tentava achar um jeito de te esquecer
Comecei a colocar a minha voz pro mundo,
Em clamor
Sem reclamar do seu amor
Até que você desapareceu dos meus sonhos
Seu lugar não foi ocupado por outro
Me fortaleço dentro dos meus passos
Este vazio, ar fresco, força e luz
Loucura e solidão se misturam
Minha alma em estado de dormência
Um mosaico de sensações me desperta
Já não me lembro da última briga de amor
Ele, o amor
Não pertence a ninguém,
é tão livre e tão meu
Dentro de mim sobrevive,
E quer viver
Ela, a espera
Navega para o novo
Que ainda é tão solto e voa
Concentra, fecha o olho
E quer abrir
Pelo caminho do nada a seguir
Arrastam-se as estradas,
Em imagens impressionistas
A 30 quadros
Aterrisa
São os anos
Até aqui.
Procuro então um mestre,
Razão ou amor
Que signifique
E force o movimento
Este algo inexplicável que quer o outro
Como a poesia quer a palavra e depois não quer mais
As ilusões da vida, à só ou à mais.