segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Amor Balão


"Por quê você não escreve seus sonhos?"
E foi assim que nasceu este conto,
Do eco das palavras,
Da minha roommate.

"Não posso escrever, porque é magia".
Olhei para dentro,
Senti um aceno afirmativo
Pela minha decisão.

Acontece que,
Não à toa,
Naquela hora,
Me lembrei de um velho anão.

Em sonhos passados,
Cochichou coisas engraçadas,
Hummm.. não me lembro de nada.

Então me veio uma sensação,
De saber o por quê,
Dessa minha paixão
Em estar na sétima arte.

Mais imagens apareciam:
Bebês em sacos de aniagem,
Amarrados como balões,
Em cascos de jabutis,
Voavam no céu.

Me lembrei daquele lindo moreno,
Tão amigo,
E nossa amizade,
Tantas vezes confirmada,
Em noites de amor.

Certa noite,
Lá pelas 3 horas da madrugada,
Dia de São Pedro,
Inverno,
Eu deitada,
Ele por cima,
Fiz uma pausa, só pra dizer:
"Olha o balão ! "

Eu molhada,
Ele pelando,
O tempo parou,
Ele sussurrou:
"Amor bom é amor balão!"

Abri um sorriso,
De quem compreende,
Sem saber falar sobre,
O que se entende.

Ele sob o meu corpo,
Olha pra cima,
Como quem por encanto,
Se abre,
Para uma manifestação divina:

"Amor balão, aquele que é leve
O fogo faz subir,
Evoluir,
Progredir,
Se tornar uma pessoa melhor."

Desde então, nunca mais,
Me esqueci do amor balão.

Aliás, eu e meu amigo
Era algo sensorial,
Sem nenhuma justificativa
Paradoxal.

Hoje ele mora fora,
Eu estou em outra,
Neste mesmo mundo,
Normal.

Muitos balões já dei
Outros, deixemos voar
Balão é objeto,
Inventado para transportar.

Amor -veículo
Balão-mágico



Hoje acordei com tanta saudade da minha ex-sogra

Sonhei com ela noite passada

Abria a geladeira daquela grande casa

Todas as manhãs que lá dormia

Repartia o queijo minas da fazenda de Sta Luzia

O primeiro pedaço era pra ele

Meu querido, que tão bem me comia

E aquela mulher mais velha,

Me olhava com tal ternura

Em silêncio transmitia alegria

Por eu nutrir sua cria

“Eu to amando,

Apaixonada,

Quero você amor.”

E cada dia que passa eu me vejo mais

Na cama de lençol cor de rosa

Que compramos naquela feira da praça

Hoje reflito na minha amiga madura

Que ficou triste comigo

Fiz seu rapaz mais velho chorar

E o perdão não vem

A febre era alta,

Ele adoecia e eu mudava

Mesmo para aqueles que sabiam

E ela, sem palavras, também já sabia

Que a gente já não dava

Continuando o sonho

Eu fui até o jardim da bela casa

Com o queijo na bandeja de prata

E alimentei as cabras

Derepente, um grande cortejo de ciganos surge

Uma bela melodia, doces odores

Me arrastam para longe

Como se eu fosse parte deles

No meio do caminho

Com uma sensação andrógina no fundo do peito

Miro a bandeja de prata

Com uma cabeça de homem

Barbudo e cigano

E eu não me engano

Ele estava vivo e me encarava

Deu risadas, e eu fechei os olhos com força

Me decidi.

Não vou mais temer

Eu me declino

Acendo uma vela

No chão da mata

Pro povo da terra

E peço aos anjos e arcanjos

Que te protejam: Homem!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

já reparou?

Reparar é uma palavra muito curiosa.
Serve tanto para conserto como para observação.
Conserto é bem interessante.
Pode ser direcionado para o objeto voltar a funcionar,
Ou para a alma se deliciar com uma incrível melodia.
Incrível é genial ou algo crível?
Gênio é um adjetivo muito utilizado na pós-contemporaneidade,
Para qualquer coisa que seja um pouco acima da média.
Qualquer coisa pode ser usada ou descartada.
Coisa é o ente e o ser é você.
O ser é e continua sendo
Uma questão filosófica, sem definição.
A questão, em geral, induz a resposta.
A resposta pode ser pronunciada com o corpo, com a mente ou com o silêncio.
Diz-se mente, para alguém que não diz a verdade,
Ou para definir o conteúdo do seu cérebro.
Pronto, parei por aqui, agora escolho começar com nada.
Nada é a ausência de tudo ou o movimento do corpo na água.
O movimento desloca, mas também pode ser partidário.
Partir de si mesmo é dar voltas cíclicas.
Si é a sétima nota musical ou o interior de si próprio.
Interior é todo o território de costas para o mar ou dentro do corpo.
Mas, é sempre uma condição frente a uma decisão ou ação.
Pois, não vejo mais lógica para tanta informação.
Vou parar neste momento, neste lugar, agora.
Momento como um instante ou um ponto no tempo
Sem nenhuma utilidade científica prática.
Adeus, ausência.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

À só ou à mais



Neste tempo sem você

Acreditei que tentava achar um jeito de te esquecer

Comecei a colocar a minha voz pro mundo,

Em clamor

Sem reclamar do seu amor


Até que você desapareceu dos meus sonhos

Seu lugar não foi ocupado por outro

Me fortaleço dentro dos meus passos

Este vazio, ar fresco, força e luz


Loucura e solidão se misturam

Minha alma em estado de dormência

Um mosaico de sensações me desperta

Já não me lembro da última briga de amor


Ele, o amor

Não pertence a ninguém,

é tão livre e tão meu

Dentro de mim sobrevive,

E quer viver


Ela, a espera

Navega para o novo

Que ainda é tão solto e voa

Concentra, fecha o olho

E quer abrir


Pelo caminho do nada a seguir

Arrastam-se as estradas,

Em imagens impressionistas

A 30 quadros

Aterrisa

São os anos

Até aqui.


Procuro então um mestre,

Razão ou amor

Que signifique

E force o movimento


Este algo inexplicável que quer o outro

Como a poesia quer a palavra e depois não quer mais

As ilusões da vida, à só ou à mais.