terça-feira, 22 de julho de 2014

Parar
Recuar
É coisa de flecha
Que só se lança
Quando mira o sol

Certo mesmo é o desejo

To inventariando "os meus"
Cansei de amor velho

Faço amor

Com os meus cinco dedos
Mas não caio mais
Nas garras da sua falta 

Nem sempre o espelho reflete

A imagem projetada
É preciso saber o milagre do santo
Antes de rezar


Algo novo venha sem pressa
Este imenso mar de amor
Que quer doar, dói

Não me peça para resistir
Ao burraco que não sangra
A multidão de vozes que não cala

Revele a sombra 
Da parede descascada
Amor não se dita nem dura












segunda-feira, 19 de maio de 2014


A lua tá cheia e eu to um vazio transbordante
Desisti de você pra insistir em mim
Boio nos excessos vagos
Fiquei só

Vozes ventam caminhos
Farejo qualquer vestigio
De mim mesma

Sem rima
a desfarelar afetos
da grafia de um tempo vivido










domingo, 9 de março de 2014


No seu colo quente desfruto calma, um gole de alma e vontade de poder
Tudo o que há de bom cria o que eu divido
E ainda me entorna uma boa dose de mim

Sinto-me rara como a lua clara
A única a iluminar a escuridão dos caminhos densos

De ladinho, por trás 
Estímulos que no meio quente
Se tornam consistentes

Testemunho, aos olhos da carne,
O que escorre no afago dessas tuas
Partes nuas
E ocultas

Entrego-me ao sensorial fato de tê-lo em meu mais alto
Ato humano

Me divido em parte inteira
Nessa brincadeira de pele e desejo
De te amar

Minha culpa, desculpa
Cobra, envenena
Só me livro dela
Nas possibilidades

Excitadas pelo amor


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

É tardinha,
aquele instante 
escuro/claro
a brisa de uma incansável tempestade
sopra poesia na lama do meu sapato.


Com a ponta da lingua escrevo desejos:
na pornografia desta aflição,
morro nos seus braços
e renasço na concha desta orgia
"Livrai me de todo você"


 





Possibilidade...
Adoro esta palavra esperançosa.
Faz maluco pensar que tem chance de optar por algo.
Finda assim: dia não, dia sim,
Um prato de feijao com bastante agrotóxico.

E lá na lonjura do sertão,
Chegou mac, chegou big e chegou feliz.
Um milhao tem em qualquer galinheiro,
Com maça envenenada como nos contos da carochinha,
que hoje assistimos em 3D pelo quadrado da televisao.

Fui visitar o Seu João,
Em uma plantação na divisa do Uruguai.
Vi maça no pé. Tinha a cor da mulher do Seu Raposo.
A pobre loirinha tava com a orelha inflamada
De tanto ouvir cantos de passarinhos
Agonizando no terreiro dos business.


Saí sem rumo
pelas rachaduras 
destas calçadas gastas
de tanto o amor passar

Vozes de concreto 
aos meus pés
buracos cheios 
de passado

Pelo caminho
do nada a seguir
arrastam-se os anos
até aqui


Enquadro um velho 
de alma rasgada,
Imprimo meus tempos 
de mendigar
Amor, amor
Só o próprio
 

 






quarta-feira, 19 de outubro de 2011



Sem rima,

A desfarelar afetos
Da grafia de um tempo 
Vivido.