segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Dramática

eu me forço,
eu me esforço
eu me esboço


a cabeça baixa
os pés no chão
a mente no mundo
a palavra muda

quero dizer
aquilo que não 

sai da entrelinha
reparo em mim
que pontuo a fala
crio certezas
destruo o tempo
só e só


pretérito mais que perfeito 
eu teria você na cama
se eu não tivesse desistido
em modo imperativo eu insisto

amor possível detesto você


prefiro o outro futuro do pretérito
veria-lhe-ia como nunca vi
até cheirar minha pele
meus olhos terão te olhado 

presente do desejo
a sussurrar amor

este papel

me tira a vida vivida
me trás aqui
 eu piso dentro
me rasgo toda
fico nua pra você
que não sabe quem eu sou
mas eu te supervalorizo



domingo, 23 de novembro de 2014

Poesia para dias nublados

Neste tempo sem você
Acreditei achar um jeito de te esquecer
Comecei a colocar a minha voz pro mundo
Em clamor
Sem reclamar do seu amor

Até que você desapareceu dos meus sonhos
Seu lugar não foi ocupado por outro
Me fortaleço dentro dos meus passos
Este vazio
Ar fresco
Força e luz

Loucura e solidão se misturam
Minha alma em estado de dormência
Um mosaico de sensações me despertam
Já não me lembro da última briga de amor

Ele, o amor
Não pertence a ninguém
é tão livre e tão meu
Dentro de mim sobrevive
E quer viver

Ela, a espera
Navega para o novo
Que ainda é tão solto e voa
Concentra, fecha o olho
E quer abrir

Pelo caminho do nada a seguir
Arrastam-se os anos
Até aqui

Procuro então um mestre,
Razão ou amor
Que signifique
E force o movimento

Este algo inexplicável que quer o outro
Como a poesia quer a palavra e depois não quer mais
As ilusões da vida,
a sós ou a mais



terça-feira, 22 de julho de 2014

Parar
Recuar
É coisa de flecha
Que só se lança
Quando mira o sol

Certo mesmo é o desejo

To inventariando "os meus"
Cansei de amor velho

Faço amor

Com os meus cinco dedos
Mas não caio mais
Nas garras da sua falta 

Nem sempre o espelho reflete

A imagem projetada
É preciso saber o milagre do santo
Antes de rezar


Algo novo venha sem pressa
Este imenso mar de amor
Que quer doar, dói

Não me peça para resistir
Ao burraco que não sangra
A multidão de vozes que não cala

Revele a sombra 
Da parede descascada
Amor não se dita nem dura












segunda-feira, 19 de maio de 2014


A lua tá cheia e eu to um vazio transbordante
Desisti de você pra insistir em mim
Boio nos excessos vagos
Fiquei só

Vozes ventam caminhos
Farejo qualquer vestigio
De mim mesma

Sem rima
a desfarelar afetos
da grafia de um tempo vivido










domingo, 9 de março de 2014


No seu colo quente desfruto calma, um gole de alma e vontade de poder
Tudo o que há de bom cria o que eu divido
E ainda me entorna uma boa dose de mim

Sinto-me rara como a lua clara
A única a iluminar a escuridão dos caminhos densos

De ladinho, por trás 
Estímulos que no meio quente
Se tornam consistentes

Testemunho, aos olhos da carne,
O que escorre no afago dessas tuas
Partes nuas
E ocultas

Entrego-me ao sensorial fato de tê-lo em meu mais alto
Ato humano

Me divido em parte inteira
Nessa brincadeira de pele e desejo
De te amar

Minha culpa, desculpa
Cobra, envenena
Só me livro dela
Nas possibilidades

Excitadas pelo amor


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

É tardinha,
aquele instante 
escuro/claro
a brisa de uma incansável tempestade
sopra poesia na lama do meu sapato.


Com a ponta da lingua escrevo desejos:
na pornografia desta aflição,
morro nos seus braços
e renasço na concha desta orgia
"Livrai me de todo você"


 





Possibilidade...
Adoro esta palavra esperançosa.
Faz maluco pensar que tem chance de optar por algo.
Finda assim: dia não, dia sim,
Um prato de feijao com bastante agrotóxico.

E lá na lonjura do sertão,
Chegou mac, chegou big e chegou feliz.
Um milhao tem em qualquer galinheiro,
Com maça envenenada como nos contos da carochinha,
que hoje assistimos em 3D pelo quadrado da televisao.

Fui visitar o Seu João,
Em uma plantação na divisa do Uruguai.
Vi maça no pé. Tinha a cor da mulher do Seu Raposo.
A pobre loirinha tava com a orelha inflamada
De tanto ouvir cantos de passarinhos
Agonizando no terreiro dos business.


Saí sem rumo
pelas rachaduras 
destas calçadas gastas
de tanto o amor passar

Vozes de concreto 
aos meus pés
buracos cheios 
de passado

Pelo caminho
do nada a seguir
arrastam-se os anos
até aqui


Enquadro um velho 
de alma rasgada,
Imprimo meus tempos 
de mendigar
Amor, amor
Só o próprio